• Fernando Fontana

Coringa de Brian Azzarello

Trabalhando para um Psicopata

"A notícia se espalhou, não sei os detalhes, ainda não sei por que, mas ele estava...o Coringa estava sendo liberado do Asilo Arkham. Tenho que admitir, ao vê-lo em pessoa pela primeira vez, senti aquela "travada" instintiva...sabe, lá embaixo."


De todas os vilões da galeria do Batman, não há muita dúvida sobre quem ocupa o primeiro lugar nos quesitos insanidade e crueldade.


Em "Batman, A Piada Mortal", o Homem Morcego diz para aquele que pensa ser o Palhaço do Crime: "Estive pensando muito ultimamente sobre você e eu. Sobre o que vai acontecer conosco no fim. Vamos acabar matando um ao outro, não?"


Esta é a natureza da relação entre os dois, um embate mortal entre luz e trevas, ordem e caos, porém, esta não é uma história do Batman, é do Coringa, e de um homem que comete o maior erro de sua vida.

Ela tem início quando o Coringa consegue sair do Arkham pela porta da frente, sem que alguém entenda como ele conseguiu ser liberado.


Durante o período em que esteve preso, ele perdeu o controle do crime organizado em Gotham, e agora, quer recuperá-lo.


Nenhum dos antigos associados tem coragem suficiente para buscá-lo na saída, com exceção de Jonny Frost, um bandido de segunda, disposto a subir na hierarquia, e para isso, decide que é uma boa ideia trabalhar para o Coringa.


Agora, eu bem sei o que você deve estar pensando, trabalhar para um psicopata assassino que pode atirar na sua cara a qualquer momento não é o emprego dos sonhos. Concordo, qualquer um com um pingo de juízo também concordaria, mas esse não é o caso do Sr. Frost.


A questão é que Frost cansou de ser um coadjuvante, aquele cara que acompanha os chefões, apanha do Batman, cai sangrando no chão, é preso, e ninguém se importa. Ele já foi parar atrás das grades cinco vezes, é divorciado e continua sendo irrelevante.

"Meu nome é Jonny Frost. Vocês não me conhecem, mas sempre soube que iam conhecer. Que eu faria alguma coisa, seria alguém, que iam me reconhecer e reparar em mim."


A narrativa acontece sob o ponto de vista dos dois personagens, Frost e o Coringa. O roteiro de Azzarello (100 Balas), muito auxiliado pela elogiada arte de Lee Bermejo (seu coringa serviu de inspiração para o de Heath Ledger), envolve uma escalada de violência e mortes com requintes de sadismo na busca do vilão para voltar ao topo.


Conforme o tempo passa você se questiona quando será o momento em que o Coringa perderá o controle e fará o que sempre faz: matar!


Não é necessário que haja motivo ou lógica em suas ações, é isso que o torna tão perigoso.


Trata-se de uma realidade alternativa, não fazendo parte da cronologia oficial da DC Comics, e histórias assim costumam dar maior liberdade para que os roteiristas possam interpretar os personagens de forma diferente.


Além do Coringa, diversos outros vilões da galeria do Batman dão as caras, entre eles, o Crocodilo, Pinguim, Charada e Duas Caras (dão as caras, duas caras, entenderam?).


O título de melhor história sobre o Coringa, ainda fica para "A Piada Mortal" de Alan Moore, mas Azzarello conseguiu criar uma narrativa que merece o seu lugar de destaque entre as melhores já escritas para o mais insano dos internos do Asilo Arkham.


Antes de reclamar de seu emprego, lembre-se dos capangas de psicopatas, como Frost, que trabalha sem carteira assinada, sem plano de saúde, sendo obrigado a enfrentar vigilantes mascarados e correndo o risco de morrer pelas mãos do próprio chefe.

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