• Fernando Fontana

Isamu Deve Morrer

Atualizado: 3 de Nov de 2019

Parte 2: A Gueixa e o Ronin

Para ler a primeira parte: Isamu Deve Morrer Parte 1

Arte por Wagner Kurts: @wagnerkurtsart

Acordou na manhã seguinte, com o barulho de sua cela sendo aberta.


– Vamos – disse um dos três samurais que o vieram buscar – o Daimio exige sua presença.


O estômago reclamou, suas costas doíam, mas tratou de obedecer a ordem, pois não lhe agradava em nada a ideia de receber novos golpes.


A porta dupla, dourada e adornada com o brasão da Casa Okada, abriu-se, revelando duas fileiras de dez samurais ajoelhados, e, entre eles, um caminho levando até o trono onde se senta o Daimio. Ao seu lado direito, Hasegawa Isamu, capitão da guarda, e ao lado deste, Wada Kento, sacerdote do Sol Nascente, guia espiritual da religião oficial do Império.

Ao lado esquerdo do Daimio, Okamoto Kentaro, homem corpulento, tapa olho na vista direita, respeitado Sumotori, lutador, pois a maior e mais tradicional das escolas de Sumô pertence às Terras Férteis, e durante gerações, um deles sempre protegeu o seu senhor.


Por fim, ao lado de Okamoto, uma apreensiva Senhorita Keiko.


Ao se aproximar do trono e vislumbrar Isamu, Ryotaro sentiu seu sangue ferver, viu os samurais que o trouxeram inclinarem-se em sinal de respeito e logo depois se afastarem; copiou o gesto e aguardou.


– Sakai Ryotaro – disse o Daimio – você é acusado de perturbação da paz e ameaça a um dos samurais da minha casa. O que tem a dizer em sua defesa?


– Culpado de todas as acusações – ele respondeu calmamente.


– Meu senhor – disse Keiko – ele certamente ainda está sob efeito da bebida ou com a mente abalada por algum golpe que sofreu.

– O Ronin já se pronunciou – falou Isamu – culpado, ele disse, que mais há para se saber?


O Daimio observou atentamente Ryotaro antes de falar – Ao contrário do que disse a senhorita Keiko, você parece estar em seu juízo perfeito, então, por que tão prontamente se declara culpado destas graves acusações?


– Porque nada tenho a esconder, desejo mais do que tudo uma chance de lutar contra Isamu, pois ele matou meu pai, Sakai Hidetaka, sem que houvesse motivo justo.


– Sim, seu pai, ouvi a respeito. Isamu – o Daimio voltou sua atenção para o samurai – o que tem a dizer sobre o ocorrido?


– O velho me ofendeu, foi legítima defesa da honra.


– E qual foi esta ofensa? – Questionou Ryotaro.


– Não importa, ofensa é ofensa.

– Discordo, Isamu – disse o Daimio – existem graus diferentes de ofensa, e punições adequadas para cada uma delas, se optou por aplicar a morte é justo que revele o motivo.


– Meu senhor, é que...


– Fale de uma vez, Isamu.


– Meu senhor, eu não lembro exatamente qual foi a ofensa.


– Espera que eu acredite que você não se recorda a razão pela qual matou um homem?


– Talvez seja verdade, nobre Daimio – disse Ryotaro – talvez ele não se recorde, pois como muitos dos presentes, estava embriagado e o que motivou o ato covarde, assim como sua vítima, não tinham qualquer importância real.


– CALE-SE, Ronin, não permitirei que...

Com um simples gesto de mão, o Daimio calou Isamu – quero ouvi-lo, prossiga, Ryotaro.


– Foi a noite após a primeira das batalhas contra os Kumazawa, uma grande vitória, todos beberam muito além da conta, celebraram, riram. Isamu riu da pequena estatura de Ichiro, seu irmão, e ele, por sua vez, riu da falta de habilidade de Isamu com as mulheres.


– Não compreendo, como isso resultou na morte de seu pai? – perguntou o Daimio.


– Essa falta de habilidade, por assim dizer, é assunto que muito irrita Isamu, mas ele nada poderia fazer contra um dos filhos do então Daimio, seu pai, Okada Takashi; ao invés disso, voltou sua ira contra meu pai, matando-o com um único golpe de sua katana.


– Ele matou seu pai por conta de algo que meu irmão disse?


– Ele riu, meu senhor – interrompeu Isamu .

– Você o matou apenas porque ele riu? – Perguntou o incrédulo Daimio.


– Ele o matou – disse Ryotaro – porque Sakai Hidetaka, meu pai, era um Ashigaru, homem leal, que sangra e morre anonimamente nos campos de batalha enquanto a honra e a glória ficam para os samurais. Isamu pode esconder sua personalidade debaixo dos rituais e da etiqueta, mas não passa de um assassino frio, tirar a vida de uma pessoa ou de uma mosca, para ele, tanto faz.


– BASTA DE SUAS OFENSAS – gritou Isamu, dando um passo à frente – se o que o Ronin deseja é me enfrentar, então que seja feita sua vontade, vamos resolver esse assunto de uma vez por todas.


– Permaneça onde está, Isamu – disse o Daimio – ainda não decidi o que será feito. Por que eu ou meu pai jamais fomos informados sobre esse ato impensado?


– Porque, seu irmão, Ichiro, acobertou o amigo, Isamu, e ninguém ousou desafiar o herdeiro da Casa Okada – concluiu Ryotaro.


– Meu senhor – Keiko falou – há mesmo necessidade de mais derramamento de sangue?


– Não é meu desejo, senhorita Keiko, mas parece ser o dos envolvidos. Você ainda pede por esta luta, Ryotaro?


– É apenas isso que lhe peço, nobre Daimio.

– E, você, Isamu, levará isso adiante?


– Colocarei um fim na insolência desse Ronin.


– Sendo questão de honra , não impedirei o duelo.


– Que seja, meu senhor – aceitou Keiko – mas peço que não seja agora, pois Ryotaro encontra-se em péssimo estado, mal dormiu, que a luta ocorra amanhã.


– Parece-me justo, ela ocorrerá em frente aos portões do Castelo , amanhã, ao amanhecer.


– Agradeço sua generosidade – disse Keiko – agora vamos, Ryotaro, já conseguiu o que tanto queria.


– Posso reaver minha katana? – Perguntou Ryotaro.


– Sim, certamente – respondeu o Daimio – você precisará dela para o confronto de amanhã – acenou para um dos samurais que aguardava, e o mesmo se aproximou carregando em uma das mãos a espada em sua bainha.


– Espere – disse Isamu – ele não pode me derrotar e sabe disso, e eu nunca vi alguém tão ansioso para morrer, deve ser um truque. A katana, pode haver magia proibida nela.


– Ridículo – disse Keiko demonstrando desdém – eu o conheço, ele jamais seria capaz de ato traiçoeiro como este.


– Se acharem necessário – falou Ryotaro – por favor, tomem a katana e verifiquem por si mesmos, comprovarão que sua lâmina não é mágica.


– Neste caso – disse o Daimio – a verdade pode ser facilmente desvendada. Kento – chamou pelo sacerdote – sabe o que fazer.


Kento nada disse, apenas confirmou com um aceno de cabeça, pois palavras tem poder, e ele sempre preferiu escutar. O samurai que carregava a katana e estava prestes a entrega-la para Ryotaro, subiu os degraus e a ofereceu respeitosamente ao sacerdote.


Após retirá-la da bainha, Kento fechou seus olhos e se concentrou por um instante, um pequeno brilho emanou de sua mão direita, e ele a passou lentamente por toda a extensão da lâmina. O brilho se foi, abriu os olhos e mais uma vez encarou seu senhor.


– E então? – Perguntou o Daimio.


O sacerdote moveu a cabeça negando que houvesse qualquer traço de magia na arma.


– Interessante, deixe-me vê-la, Kento – pediu o Daimio, sendo prontamente atendido – Esta katana não é mágica, mas certamente poderia ser.

– Não entendo, por que diz isso – perguntou Keiko.


– Uma arma, seja ela qual for, para receber magia, deve ser forjada beirando a perfeição, pois cada mínimo defeito, aumenta a chance de que seja destruída durante o ritual que lhe confere seus poderes. Esta, de acordo com os ideogramas em sua base, é obra de Yamaguchi Nobu.


– IMPOSSÍVEL! – Exclamou Isamu.


– Yamaguchi Nobu, o antigo armeiro do Xogum? – Perguntou o também surpreso Sumotori Kentaro.


– Deve ser falsa ou roubada – disse Isamu.


– Já vi outras como essa, reconheço o estilo, é afiada o suficiente para cortar corpo e alma, falsa não é – garantiu o Daimio.


– Tão pouco foi roubada – disse Ryotaro – foi forjada por Nobu e eu a comprei.


– Besteira, uma katana dessas tem valor inestimável, um maltrapilho como você jamais teria como pagar – afirmou Isamu.


– Paguei com o que possuía, uma causa justa e um juramento, foi o suficiente.


– Chega, Isamu – interrompeu o Daimio – sua suspeita provou-se infundada, não há magia na arma do Ronin e nem tão pouco indício de que seja roubada. Leve sua espada, Ryotaro, amanhã, terá a oportunidade de provar o quão hábil é com ela.


Keiko e Ryotaro agradeceram a generosidade do senhor das Terras Férteis e rumaram para a Casa de Chá, a primeira preocupada com o destino iminente do amigo, o segundo com uma serenidade pouco comum para alguém que ousou desafiar um samurai cuja katana já bebeu sangue demais.

– Fique em minha casa – ela disse – descanse, alimente-se bem, você irá precisar.


– Agradeço a hospitalidade, sabe o quanto lhe quero bem.


– Me quer bem, mas some por um ano sem dar notícias e retorna para morrer.


– Se ficasse, e nada fizesse para vingar meu pai, estaria desonrado e não seria digno de seu amor.


– Deixe que eu decido quem é ou não digno do meu amor. Vocês, homens, parecem vir para esta vida com o único propósito de perde-la em combate, usando a honra como a suprema desculpa.


– A honra não é uma desculpa, é o que há de mais importante.


– E, por acaso, isso me servirá de consolo amanhã, quando eu o perder?


– Acredita mesmo que sou tão fraco a ponto de não ter chance alguma?


– Não, não é isso, é só que...eu...ah...esqueça, talvez, com a graça do Imperador, você o derrote.


– Keiko – Ryotaro tocou sua face – o Imperador nada terá a ver com que vai acontecer amanhã.


– O que quer dizer com isso?


Ele a olhou, mas nada disse, permaneceu em silêncio pelo resto do caminho.


– Necessita de algo? – Ela perguntou ao chegarem na Casa de Chá.


– Imagino que um pouco de chá me faria bem.


– Ah, sim, vá para o seu quarto e aguarde, eu o levarei até você.


Ryotaro caminhou lentamente até o aposento, aguardara por um ano pela oportunidade de se vingar, e, agora, mais próximo do que nunca, não podia se dar ao luxo de duvidar do plano traçado.


Keiko adentrou o quarto onde Ryotaro já se encontrava, carregava uma bandeja com um bule de água fervendo, uma tigela de cerâmica branca adornada com pequenos pássaros e um pote com ervas.

Ajoelhou-se em frente ao homem que pensou ter esquecido, mas que agora sentia amar tanto quanto amou no passado, colocou duas pequenas porções de ervas na tigela, depois despejou a água fervente, mexeu seu conteúdo, para então, gentilmente entrega-la para Ryotaro, que agradeceu e sorveu o líquido.


Ele queria e necessitava ficar sozinho com seus pensamentos, Keiko sabia disso, e respeitou seu momento – Não importa o que aconteça amanhã, meu espírito sempre estará com o teu – disse antes de se retirar.

Pela manhã e durante boa parte da tarde, o Ronin meditou e buscou aplacar o espírito que se agitava. Com o dia aproximando-se de seu fim, abriu a porta e procurou por uma das gueixas, encontrando Yoko, que recebera instruções para atender seus pedidos – Em que posso ajudar, nobre Ryotaro?


– Esqueça o nobre, meu nome é Ryotaro, nada mais. Por favor, Yoko, gostaria de algo para comer, água, saquê e uma pedra.


– Sim, imediatamente – virou-se, deu dois passos e então parou – desculpe, nobre...quer dizer, Ryotaro, mas o senhor pediu uma pedra?


– Sim, uma pedra, não será difícil encontrá-la.


– Não, não será difícil, mas que pedido estranho, que tipo de pedra?


– Uma comum, nem muito grande, nem muito pequena, algo mais ou menos desse tamanho – ele mostrou com as mãos as dimensões que queria – creio ter visto algumas em seu jardim.


– Sim, há muitas pedras em nosso jardim.

– E pode me trazer uma? – Perguntou novamente Ryotaro.


– Se é o que precisa, é o que terá – a jovem disparou pelo corredor.


Pouco tempo depois, Yoko chamou pelo Ronin, trazia uma bandeja com uma garrafa de água, outra de saquê, um pouco de arroz e peixe – Aqui está sua comida.


– Muito obrigado – Ele pegou a bandeja.


– Não me esqueci da pedra, estou indo encontrar a mais perfeita de todas em nosso jardim.


– Não há necessidade de uma pedra perfeita, só – tentou concluir a frase, mas Yoko já havia partido em sua busca.


Chegando no jardim, a jovem se deparou com Keiko iniciando seu kata, próximo de uma grande cerejeira. Sabia que não devia incomoda-la quando enfrentava seus inimigos imaginários, então nada disse e passou a procurar por uma pedra do tamanho solicitado por Ryotaro.


Keiko não pode deixar de notar a estranha cena quando a jovem passou por ela carregando uma pedra, mas seguiu com a sequência de movimentos que aprendera com Kimura, seu mestre no caminho das mãos vazias.


– Ryotaro – disse Yoko adentrando mais uma vez o aposento – esta está de bom tamanho?


Ele terminou de engolir o último bocado de peixe e observou a pedra que Yoko carregava – sim, perfeita, pode deixa-la aqui ao meu lado – respondeu sorrindo.


– Oh, comeu rápido, pelo jeito, estava com muita fome, quer mais?

– Não, obrigado, já estou satisfeito, pode levar a bandeja, deixe apenas a garrafa de saquê.


– Se precisar de algo, estarei no salão principal – Yoko disse antes de se retirar.

Sozinho, o Ronin afastou a garrafa de saquê, estava cheia, não havia tomado sequer um gole. Pegou a pedra com ambas as mãos e a observou – agora, a ideia já não parece tão atraente – terminou a frase e usou a pedra para atingir a própria cabeça por três vezes seguidas, o primeiro golpe na testa, o segundo no rosto, perto do olho esquerdo e o último, no queixo.


Caído, a boca cheia de sangue, algumas gotas manchando o chão – há uma fina linha separando a insanidade da genialidade – disse para si mesmo. Levantou-se, apoiou-se na parede e foi até uma vasilha com água, lavou o rosto, sentiu que um dente estava solto e o cuspiu, olhou-se no espelho e percebeu o quanto parecia mal – com certeza não fiquei mais bonito – pensou antes de sair do quarto e caminhar até o salão principal, onde, para sua surpresa, encontrou Yoko conversando com Kentaro, o Sumotori.


Havia algo na forma como Kentaro olhava para Yoko, lembrava o olhar de Ryotaro para Keiko no passado. Engraçado – pensou – formam um casal diferente, ela tão jovem, frágil e pequena, faz com que ele pareça um gigante desajeitado ao seu lado. Talvez seja só impressão, de toda forma, tenho coisas mais importantes do que me preocupar com o que sentem um pelo outro.


– Yoko – disse Ryotaro – sabe me dizer onde posso encontrar a senhorita Keiko?


Assim que avistou o Ronin, a jovem correu em sua direção – O QUE HOUVE? VOCÊ ESTÁ SANGRANDO, FOI ATACADO AQUI DENTRO?

– Yoko, acalme-se, foi apenas um tombo, só isso.


– Um tombo? – A jovem demonstrou incredulidade no olhar – Esse estrago todo foi só por causa de um tombo?


– Isso, Yoko, só um tombo, agora, me diga, onde está a senhorita Keiko?


– Parece grave, vou procurar o Dr. Kazumi, ele saberá o que fazer.


– Não, Yoko, não é necessário, eu...e lá se vai ela. A jovem é agitada, não é? – perguntou para Kentaro que se aproximou.


– Ela só quer ajudar – respondeu o Sumotori – foi um belo de um tombo esse que você levou.


– Nem me fale, e você, o que te traz até aqui?


– Vim ver Yoko, ela logo terá idade para se casar, e eu logo encerrarei meu serviço como protetor do Daimio.


– Será substituído?


– É o que manda a tradição, o melhor Sumotori protege o seu senhor.


– O tempo é cruel com todos, e esse olho, como o perdeu?


– Defendendo Okada Takashi, o antigo Daimio.


– Golpe de espada?


– Chute, abri demais a guarda para um ninja e ele acertou o meu globo ocular. Foi durante a emboscada em que atingiram o Daimio com uma arma envenenada.


– E você conseguiu derrubá-lo?


– O ninja? Esmaguei todos os ossos dele com um abraço. Infelizmente não foi o suficiente para salvar a vida de Takashi.


– Você fez o que pode.

– Sim, o que pude, e já que estamos falando em fazer o melhor, não estou dizendo que conheça alguém assim, mas pode ser que hajam pessoas torcendo por sua vitória amanhã.


– Sério? E por que estariam torcendo por mim?


– Nem todos os samurais aceitaram bem a nomeação de Kasuo como novo Daimio, alguns preferiam o irmão, Ichiro, que sempre teve melhores relações com a classe guerreira. Isamu é grande amigo de Ichiro, todos sabem disso, e ele contava com sua proteção, é natural que lidere esse descontentamento.


– E você, está descontente com o novo Daimio?


– Jamais, não cabe a mim julgar o Daimio, apenas servi-lo. As pessoas que eventualmente torcerão por você amanhã diriam que sabedoria e inteligência são mais importantes para um Daimio do que a habilidade com a katana, pois para isso servem os samurais e os lutadores, mas isso é com elas.


– É justo, saberia me dizer onde se encontra a senhorita Keiko?


– Acredito que no jardim, finalizando o seu Kata.


– Ah, ela não gosta que a interrompam – disse Ryotaro.


– E você vai interrompe-la mesmo assim, não vai? – perguntou o Sumotori.


– Vou.


– Imaginei, boa sorte amanhã e com Keiko.


– Para você também, em sua nova vida com Yoko.


Os dois se despediram, Kentaro saiu da Casa de Chá e rumou para o Castelo Okada, Ryotaro foi até o jardim, onde encontrou Keiko, ainda praticando.


– Olá – ele disse.


– Olá – ela respondeu sem interromper os movimentos.


– Não vai perguntar o que aconteceu com o meu rosto?


– Não.


– Não? – O Ronin perguntou surpreso.


– Não.


– E por que não?


– Eu estive pensando.

– Sobre?


– Sobre você, porque se quisesse realmente se matar, teria desafiado Isamu logo depois dele ter matado covardemente seu pai, mas você não fez isso, você se afastou por um ano e agora retornou, isso me leva a crer que talvez tenha um plano.


– Talvez.


– O seu rosto ter ficado desse jeito tem a ver com esse plano?


– Talvez.


– Você ficou péssimo – Keiko encerrou a série de movimentos com uma defesa e um soco alto, enquanto observava Ryotaro se aproximar até ficar frente a frente com ela.


– Você não se apaixonou pela minha aparência – ele disse sorrindo, com uma mão na cintura de Keiko.


– Não, não me apaixonei – ela se aproximou ainda mais, os lábios quase tocando os dele – se derrotar Isamu, faz parte de seu plano ficar aqui, ao meu lado?


– Talvez – ele colocou a outra mão sobre a cintura de Keiko e se preparou para beijá-la.


– O QUE VOCÊ DISSE??? – Keiko disparou uma joelhada potente que atingiu Ryotaro bem entre as pernas, fazendo com que ele visse estrelas e caísse no chão, encolhido e com as mãos sobre a virilha.


– Oh, como dói – ele grunhiu.


– Então, seu grandessíssimo idiota, talvez eu nunca mais deixe você encostar suas mãos sejas em mim – Keiko o deixou em posição fetal e marchou furiosa para dentro da Casa de Chá, encontrando no caminho Yoko e o Dr. Kazumi.


– Senhorita Keiko, Senhorita Keiko, eu trouxe o Dr. Kazumi para cuidar de Ryotaro, ele tomou um tombo feio.


– Que bom que trouxe o Doutor, Yoko. Ryotaro acaba de tomar outro tombo e está logo ali, no jardim.


– Outro tombo? – Perguntou a jovem – Será que ele não está doente?


– Apenas se estupidez for uma doença – respondeu Keiko deixando para trás Yoko e Kazumi.


Continua na Parte Final: Isamu deve Morrer 3

----------------------------------------

71 visualizações

Facebook

  • Facebook Social Icon

© 2019 por FERNANDO FONTANA Orgulhosamente criado com Wix.com

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now