• Fernando Fontana

O Vizinho

Série sobre super-herói espanhol não decola

Lançada no último dia de 2019, a série espanhola "O Vizinho" pegou muita gente de surpresa, já que, pelo menos aqui, em terras tupiniquins, quase ninguém sabia da sua existência.


Baseada nos quadrinhos de Santiago Garcia e Pepo Perez, ela conta com 10 episódios de curta duração (em torno de 25 minutos), o que sempre é um ponto positivo, já que com pouco tempo é possível maratona-la.


Devo reconhecer que não sei absolutamente nada do material no qual a série se baseia, sendo assim, vou me concentrar apenas na obra que assisti.


Em "O Vizinho" acompanhamos a história de Javier (Quim Gutiérrez), um típico "perdedor" que aposta na venda de camisetas que ninguém quer comprar, um egoísta que vive mentindo para o chefe e para sua namorada Lola (Clara Lago), colocando em risco tanto o seu relacionamento quanto o seu emprego.


Sua vida muda quando um alienígena literalmente cai do céu e, prestes a morrer, transfere seus poderes para que Javier o substituta como novo Guardião do Cosmos (sim, eu sei, Lanterna Verde mandou lembranças).


Para adquirir super força, voo e capacidade de regeneração, basta que Javier engula uma pílula vermelha, e, além disso, ele possui um medalhão que, ao ser acionado, o cobre de imediato com seu traje (uma solução que evita a necessidade de cabines telefônicas).

Sem ter a mínima ideia do que fazer com seus poderes, Javier conta com a ajuda de seu vizinho José Ramon (Adrián Pino), que descobre sua identidade secreta quando o "herói" atravessa sua janela em uma tentativa de voo mal sucedida.


A ideia de um indivíduo de caráter duvidoso recebendo poderes para os quais não está preparado, está longe de ser original, mas, costuma render boas histórias, quando bem trabalhada.


Infelizmente não é o caso aqui.


A culpa não é dos atores, que até fazem um bom trabalho com o material que tem em mãos


As cenas em que Javier é ajudado por José na busca por compreender seus poderes, me lembrou demais o filme Shazam, substituindo crianças por adultos.


Essa parte não chega a ser ruim, a química entre José e Javier funciona por um tempo, mas com o andar da série, desanda, por conta de um roteiro que não ajuda.


Os diálogos parecem ter sido retirados de novela para adolescentes e as piadas não conseguem fazer rir. Se você acha exagero, espere o surgimento da Polícia do Carma e veja se não parece algo retirado de um episódio de Malhação.


Se era para ser uma série de super-heróis, não funciona, porque de heroísmo tem bem pouco, quase nada para falar a verdade.


Se era para ser uma série engraçada, não funciona, porque o humor é fraco. Herói atrapalhado por herói atrapalhado, prefiro o Chapolin Colorado ou mesmo o Super-Herói Americano (série da década de 80 exibida no SBT, coisa de velho).


Se era para ser uma série sobre mudanças e crescimento dos personagens, não, também não funciona, porque o roteiro só resvala nesses temas e bom, você leu a parte sobre os diálogos no estilo Malhação, não é?


Resumindo, mesmo tendo curta duração, não recomendo, tem coisa melhor para você gastar o seu minguado tempo.

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Fernando Fontana é obviamente o responsável por este blog e autor dos livros "Deus, o Diabo e os Super-heróis no País da Corrupção", "Procura-se Elvis Vivo ou Morto" e da Graphic Novel "O Triste Destino da Namorada do Ultra-Homem".


Também é colunista do Canal Metalinguagem onde escreve sobre cinema e quadrinhos.


Para contato, escreva para: fernandofontana040@gmail.com

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