• Fernando Fontana

The Boys

Super-Heróis Fabricados e Escrotos


Os Sete - Liga da Justiça cheia de Podres

Em Watchmen (1986), Alan Moore nos mostra um mundo com vigilantes repletos de problemas pessoais e inseguranças, assim como um único super-herói, o Dr. Manhattan, cuja existência altera completamente o rumo de fatos históricos importantes (Os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã, por exemplo), assim como a política, a tecnologia, a literatura e muito mais.


Ao contrário de outras histórias de super-heróis, onde o mundo é basicamente igual ao nosso, só que com a presença de super-humanos, Moore acredita que seres tão poderosos quanto um Super-Homem ou um Capitão Átomo influenciam e transformam tudo ao seu redor.


Já em Reino do Amanhã (1996), Mark Waid e Alex Ross (responsável por uma das artes mais belas que eu já vi), apresentam um futuro não tão distante, onde o Super-Homem e outros pesos pesados ou se retiraram da atividade, ou passaram a atuar nas sombras. Em sua ausência, novos e jovens super-humanos assumiram o controle, e eles não possuem os mesmos valores morais que seus antecessores, pouco se importando com os danos colaterais de suas batalhas.


Dois anos antes, Marvels, também desenhada por Alex Ross e escrita por Kurt Busiek, também havia mostrado, através da câmera do fotógrafo Phil Sheldon, o que acontece com as pessoas comuns, enquanto deuses lutam nos céus.

Heróis são retratados pela mídia como pessoas perfeitas

Neste sentido, "The Boys", nova série da Amazon Prime, baseada na obra de Garth Ennis, não é exatamente inovadora, mas o que ela consegue, é mostrar sem pudores (embora não tanto quanto nos quadrinhos), o que acontece de verdade com o mundo e com o cidadão comum quando super-heróis capazes de destruir prédios com um tapa, passeiam pela cidade.


Garth Ennis já mostrou o quão insanos podem ser seus roteiros em Preacher, Hellblazer e na fase em que esteve no comando do Justiceiro, mas em "The Boys", ele tem suas próprias versões do Super-Homem, Mulher Maravilha, Batman e Flash para brincar, e o resultado é uma história cheia de seu humor ácido, sangue e mortes grotescas.


Já parou para pensar o que poderia acontecer se o Flash, correndo naquela velocidade absurda, atingisse por acidente uma pessoa comum que estava atravessando a rua? Ennis pensou, e não é bonito.

Pessoas comuns tentando derrotar super-seres precisam pegar pesado.

Todos os anos, inúmeros acidentes fatais ocorrem por conta do descuido dos super-heróis, que, em sua grande maioria, não se preocupam com os civis.


O problema é que os heróis rendem uma grande fortuna em publicidade, brinquedos, cinema, programas de TV e muito mais. As cidades pagam milhões para que a Vought, empresa responsável por gerenciar a maior parte dos super-heróis, lhes dê um super-herói para chamar de seu, assim como as grandes franquias de basquete ou futebol americano.


Assim, sendo, para proteger esse mercado multimilionário, a mídia encobre a maior parte dos acidentes envolvendo suas estrelas, já que a imagem de perfeição atrelada aos heróis não pode ser arranhada.

Os Sete, principal super equipe, também trabalha e obedece as ordens da Vought, e seus membros, embora, ocasionalmente salvem pessoas, se preocupam na maior parte do tempo com sua imagem e com quanto estão lucrando.


O Capitão Pátria, uma mistura de Super-Homem com Capitão América, mas sem o código de honra ou a moralidade de ambos, é o principal deles.


Em Poder Supremo (2003) de J. M. Straczynski, vimos o que aconteceria se o Super-Homem (aqui chamado de Hipérion) não fosse criado por um gentil casal de fazendeiros do Kansas, mas pelo governo dos Estados Unidos. O Capitão Pátria é o Super-Homem criado por uma grande Corporação, com cada detalhe de sua vida e de seus discursos controlado.


Neste cenário, temos Hughie Campbell, um sujeito que trabalha em uma loja de informática, e que perde sua namorada em um brutal acidente envolvendo um super-herói. Ele quer justiça, a Vought quer pagá-lo para que ele esqueça o incidente.


Que chance Hughie teria contra super-seres e gigantescas corporações? Quem lhe oferece uma oportunidade de vingança é Billy Bruto, um desconhecido que diz trabalhar para o governo e estar disposto a acabar com a raça dos Supers, utilizando métodos pouco convencionais.


Os efeitos especiais funcionam e o elenco não decepciona, Carl Urban (Bruto), Jack Quaid (Hughie), Erin Moriarty (Luz Estelar) e Antony Starr (Capitão Pátria) são o destaque, mas com raras exceções, todos entregam boas atuações.


Embora não seja absolutamente fiel ao material original, a essência está presente e a série já é um grande sucesso, aparentemente garantindo uma segunda temporada na Amazon.

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